quarta-feira, 30 de maio de 2007

O gato

As pessoas têm o péssimo hábito de cochichar pelos corredores. E entre os seus burbirinhos eu ouço nomes cortados por palavras maliciosas. É claro que meu nome não é falado por eles. Mas deveria. E cada palavra deveria ser usada para enumerar, um a um, os meus pecados.
Sim. Sou uma pecadora.
Sim, Deus, eu pequei.
E como acontece em muitas vezes em que pecamos, eu desejo o momento de pecar novamente e não me arrependo totalmente pelo o que fiz.
E o que fiz? A síndica saiu com o porteiro. Nada haveria de errado nisso... se eu não fosse casada e tivesse dois filhos.
Isso aconteceu em uma época difícil. Eu estava desempregada e só me preocupava em cozinhar e limpar. Eu havia me transformado em um robô assexuado porque até o sexo fazia parte das minhas obrigações tediosas.
O que me salvou foi um anúncio que eu vi no jornal. Era a minha chance. Eu seria secretária e não me importava que eu não soubesse de computadores. Eu aprenderia. Eu me livraria dessa vida parada.
O único problema foi que meu marido não aceitou e as crianças reclamaram. Ele precisava de uma empregada e elas, de uma babá. Quantos dias se passaram nessa indecisão? Não sei. Mas entre eles, aconteceu o inevitável.
Cansada do marido gordo com sebo saindo pelos poros e das crianças remelentas, eu fui tomar um ar. Desci até a portaria.
Só tinha um problema: quando a síndica vai a portaria é para ouvir reclamações. Sobre os novos moradores, sobre a mocinha que vive trazendo namorados, sobre o rapaz que quase não sai e tem uma risada esquisita, sobre os problemas no elevador, sobre as goteiras que parecem uma cachoeira no 201.
E nessa conversa que já me fazia dormir em pé, eu vi um vulto de um animal passando perigosamente próximo. Dei um grito e me agarrei em algo. Eu só ouvia o porteiro tentando me acalmar, mas suas voz parecia tem algo de nervoso. Ele apenas dizia: “era só um gato! Um gato!” Quando finalmente me acalmei, vi o ridículo. Eu estava abraçada a ele. Eu não fiquei nervosa porque subtamente me senti mulher, como há meses não sentia. E o senti como um homem, e não mais outra coisa senão um homem. E como eu já estava abraçada a ele, não precisei de muito esforço para aproximar nossos lábios e nem muito esforço depois disso para algo mais.
Algum tempo depois (talvez horas) vi que eu estava perdida e voltei correndo para casa decidida a me tornar secretária e a voltar a ser mulher.
E a cada dia eu volto a ser um pouquinho mais mulher. Mesmo que eu ganhe pouco e meu marido seja desagradável e as crianças mal-educadas. Os outros acham que eu sou uma esposa, mãe e secretária perfeitas. Exemplar. O que eles não sabem, por enquanto eu prefiro manter em segredo. Que Clotilde também é nome de mulher.

Mari Sathie
30 de maio, 2007


E como prometido, o conto sobre a imagem do gato. ^^ (naquele mesmo esquema de ao ser escolhida uma imagem, escreve-se um conto como no máximo 5mil caracteres e posta-se em um determinado dia... acho que deveríamos criar um nome pra isso... XD)
A próxima imagem será escolhida pelo Lucas.
Outras pessoas também participaram desta iniciativa! XD Não deixem de conferir e ver como cada um escreveu sobre a imagem.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Frio

Imagem retirada do site: http://www.juliananina02.blogger.com.br/



Com esse tempo mais ameno, eu não posso deixar de desejar dormi até meus olhos descansarem e cansarem novamente, esquecido do tempo e das minhas preocupações cotidianas.
Alguns podem achar que está frio, mas para mim, é somente uma brisa refrescante que me traz também um pouco de melancolia e alguns pensamentos impróprios - aqueles de que fujo nos meus dias normais.

E pensando nisso, eu vejo o Sol se despedir com seu calor frágil...


PS: ...porque o tempo e a foto me pediram um pouco mais que frases de vivas sobre essa frente fria que finalmente chegou. =)

sábado, 19 de maio de 2007

NOVA IMAGEM PARA CONTO



E seguindo a proposta de fazer contos a partir dessa imagem, estamos fazendo também um rodízio de quem as escolhe. E dessa vez, a escolha é minha!
Então, próximo conto, é sobre essa imagem.
Créditos da imagem para Rodi (imagem retirada do site: http://www.ojodigital.net/showgallery.php?cat=500&ppuser=1561)

Os contos deverão ser publicados nos blogs ou flogs de seus respectivos autores na QUARTA-FEIRA, dia 30 DE MAIO.

Lembrando que o limite é de 5000 (5mil) caracteres, contanto espaços.
E quem for participar, avise, pro blog/flog ser linkado. =)

Então bora escrever! ;)

A escada


“Jonas, te pari para você viver!”. Essa é a minha mãe. E acho que é por causa dela que sou meio maluco. Ela vivia dizendo: “meu filho, se a vida passar e você não ver, não diga que eu não avisei.” Então, toda vez que eu fraquejava, lembrava de suas palavras e desandava a viver. Vivi até as pessoas me chamarem de idiota. Vivi até perder os sapatos de tanto correr atrás do táxi que levava a Clotilde embora. Minha doce Clotilde, que tinha a mania de combinar a cor do batom com a do esmalte e do guarda-chuva.
E foi por causa desse conselho que eu posso dizer que me fudi mais que a maioria das pessoas, mas fui mais feliz que a maioria também.
Só que confesso uma coisa: eu poderia desistir de tudo isso. Porque além de maluco, sou um romântico incontrolável e eu faria qualquer coisa por Elisa. Porque foi com ela que eu quis ser um cara melhor e todas as besteiras que dizem por aí. Eu e ela estamos vivendo um grande amor. E eu sou um cara que poderia dizer: “minha vida... minha vida... minha
...vida é uma MERDA!”
Porque na realidade, eu menti. Minha santa mãe, que Deus a tenha, me criou para ser um frouxo. E Clotilde é só a síndica do meu prédio, com essa mania bizarra de combinar cores. E muitas vezes me pergunto se ao invés de maquiagem, não seria massa corrida.
E eu sou um Zé, isso mesmo, um Zé Buceta. E como não podia deixar de ser, sou manso, preguiçoso e funcionário público (porque não quero ter a preocupação de ter um emprego instável).
Já faz dois meses que eu a conheci. Ela está morando no apartamento ao lado. Chega e sai em horários estranhos, ouve rock às duas da manhã. Sai de meias de cores diferentes. Nesse tempo, já teve três namorados. Tem o cabelo loiro, mas já o pintou de vermelho e ele agora é roxo. Ri alto. Gosta de andar e bicicleta. E tem olhos lindos. Luminosos.
Mas como eu sou um Zé Buceta, olho tudo isso de fora. E fico pensando, e a cada dia esse pensamento se torna uma certeza: deixarei de ser Zé Buceta. E encontrarei Elisa subindo das escadas, a puxarei pelo braço e, contra a parede a encherei de beijos, sem que ela tenha tempo de se surpreender e enfurecer, só restando ceder a mim.
Determinado a isso, aqui estou eu prestes a fazer essa cena se realizar.
O plano é simples: vou quebrar o elevador e assim, ela terá que ir pelas escadas.
Não sei muito bem como proceder, mas saberei quando o elevador chegar. Nessa esperança, chamo por ele.
O único problema é que eu ouço passos se aproximando. Será alguém que suspeita de mim? Será que pareço tão suspeito? Droga, melhor eu ir embora. Vou entrar logo nesse elevador e pronto. Ops, a porta se abriu, é a minha chance.
Hum? Sinto alguma coisa estranha. Tudo está escuro e sinto uma dor em minhas costas. Sinto que estou deitado em algo macio. Abro os olhos e vejo que eu estou no sofá do apartamento que não é meu, mas de quem eu sempre quis visitar: Elisa.
Vejo-a se aproximando de mim enquanto minha visão melhora: por que, afinal de quem mais poderiam ser aqueles cabelos roxos?
Então ela fala: “pensei que você tinha morrido. Você caiu porque, quando a porta se abriu, o elevador não estava lá. Mas que bom que está vivo.”
“Linda”, eu disse sem nem pensar. E voltei a fechar os olhos enquanto ela ruborizava e perdia a fala. E eu nos vi, em um tempo não muito distante, na escada onde eu pretendia encontra-la. A escada desse prédio antigo, já gasta e manchada. Com uma iluminação digna de um filme holywoodiano. E nossos beijos, apesar de freqüentes, não seriam, nunca, menos que deliciosos.



Mariana Sathie,
15 de maio de 2007




Seguindo o mesmo esquema do conto passado, esse também é baseado numa imagem, mas dessa vez, cada um postou no seu respectivo blog/flog, porque dessa vez quisemos propor de forma que mais pessoas escrevessem, tanto é que dessa vez, além de mim e Elvis (Sala de Perigo), Lucas (Graforréia), Bel (my_song) e Gilvan (Dreamcastle) também escreveram XD

Confiram os outros contos em
www.fotolog.net/fanzineragnarok (Elvis)
http://luxalt.blogspot.com (Lucas)
http://www.fotolog.com/my_song (Bel)
http://www.fotolog.com/dreamcastle (Gilvan)



PS: Obrigada, Éliton, pela idéia do conto! Embora eu ache que ficou bem diferente do que você havia imaginado =P
PS2: Obrigada pelos coments no post anterior! 16! XD


[post de 16/05/2007 - 05:44]

Arte


De que é feita?
E de que são feitas pessoas que se denominam artistas?
Falaram-me que artista é aquele que inquieto, demonstra seu interior de outra forma. Artista, é aquele que diante do mundo, sente-o estranho e sua estranhesa é revelada com algum componente mágico em atuações, em letras, em tintas, formas ou som. Artista é aquele se sensível, conhece o âmago de cada um de nós. Foi isso que me falaram.
Mas para mim, artista, é aquele que em sua ânsia de ser reconhecido por sua obra usa esse título como chamariz. Artista é aquele que sem ter como falar sobre sua obra, chama-a apenas de arte, como se essa fosse a explicação decisiva e sem indagações. Artista é uma farsa.
Porque para mim, aquele que verdadeiramente faz e discute a Arte, não se julga recebedor de um Dom que o torne especial e não precisa ser chamado de artista. E sim, exige que o chame pela sua ocupação. Ator, pintor, músico. São aqueles que sensíveis, não usam de sua sensibilidade para sensibilizar favores, mas que os ignoram porque sua Inquietação (sim, essa parte, sim, existe) tem vida própria, e convive e luta com a Vontade para entender o Mundo e mostrar o que entendeu misturado com Beleza. Aquele que faz Arte, é aquele que simplesmente é.



PS: Se o reconhecimento para bem para o Ego? Se precisamos de dinheiro para viver? Sim, para as duas. Mas isso não muda o que eu vejo. Esse necessidade para o comercial que acaba por tornar as coisas plásticas e descartáveis. E uma Arte que perdura.
São simples e românticas as minhas visões... mas são aquilo que eu busco.

imagem: René Magritte, Espelho falso, 1928

[post de 03/05/2007 - 23:38]

Chuva em vermelho


Nada na filosofia que tenta reger os fundamentos da Terra e dos céus pode explicar o que acaba de me acontecer.
Ela não tinha razão nenhuma para agir dessa forma.
O que eu fiz de errado? Por que acabar algo que estava indo assim, tão bem?
Saímos para jantar, e então ela diz na minha cara que não dá pra seguir em frente, que acabou. Tentei entender, pedi explicações, mas ela só me deu respostas vagas. Paguei a conta, e deixei-a lá, sozinha.
Só foi o tempo de atravessar a rua e uma chuvona começou a cair.
Parecia que o céu queria me castigar por alguma coisa que eu não sabia ter feito. Talvez fosse pelo mesmo motivo que ela tinha terminado nosso namoro.
Saí andando pelas ruas, debaixo daquela chuvarada. Minha cabeça estava a mil. As coisas não podiam acabar dessa forma.
Mas foi atravessando o semáforo da Rua XV que a vi.
O tempo congelou.
Os carros não andavam. A chuva não mais caía. Os transeuntes mantiveram suas posições, com pernas levantadas em passos iniciados.
Tudo tinha perdido o seu brilho.
Exceto ela.
Uma mulher alta envolta num sobretudo preto elegantíssimo, com sapatos vermelhos, unhas vermelhas, batom vermelho e escondendo-se da chuva sob uma sombrinha vermelha.
Eu não podia ver seus olhos, encobertos pela sombrinha. E todo o mais estava apagado pela escuridão, somente o vermelho vibrante dos seus acessórios destacava-se em meio àquela sombria atmosfera de sábado à noite!
O tempo estava parado. E meus olhos perscrutavam cada centímetro daquela mulher misteriosa. Eu queria saber tudo sobre ela.
Quem era. De onde vinha. Pra onde ia.
Por que mexia comigo dessa maneira.
Queria ver seus olhos. Qual seria a cor dos olhos daquela...
Deusa que tinha saído do seu Olimpo apenas para me buscar.
Anjo que tinha descido dos céus para me ver.
Demônio que tinha subido das profundezas para me seduzir.
O que se esconderia sob aquela sombrinha vermelha?
Como seriam seus cabelos?
O que aquela boca sedutora revelaria?
Por que tinha mãos tão delicadas e tenras?
Seu pescoço nu parecia requisitar por carinho...

E então, enquanto eu estava perdido nos meus pensamentos, a admirá-la, o tempo voltou a passar, e passou todo de uma vez. Um carro buzinava insistentemente para que eu saísse da faixa, pois o semáforo estava aberto para ele, e eu atrapalhava o trânsito.
Corri para a calçada à qual me dirigia quando tudo aconteceu.
Voltei-me para todos os lados, mas não a encontrei.
Olhei uma segunda vez.
E uma terceira.
E ainda uma quarta.
Não havia sinal dela.
O que acontecera?
Teria eu me perdido em pensamentos por tempo suficiente para ela se afastar assim tão rapidamente?
Teria eu imaginado a existência daquela criatura sagrada?
Como pude não perceber o tempo passar?

A chuva continuava grossa, batendo no meu corpo violentamente, auxiliada pelo vento.
Eu estava parado na calçada da Rua XV, quase uma da manhã.
Abri meus braços e senti a chuva a castigar-me.
E subitamente eu senti que precisava ter Anne de volta.
Então pus-me a correr desesperadamente para a casa dela.
Eu amava aquela garota.
A mulher de adornos vermelhos devia ser um anjo. Que desceu dos céus para me fazer enxergar que Anne é a mulher da minha vida e é com ela que eu devo viver o resto dos meus dias.
E sob a chuva eu corri. Numa fria noite de outono. Em busca do meu destino.

Na casa de Anne, abri o portão desesperadamente e bati na porta como um louco. Anne apareceu, de robe, e eu caí de joelhos aos seus pés.
Então olhando para seu rosto, tudo eu compreendi.
Aquela sombrinha vermelha escondia o rosto da minha Anne. Era ela, de sobretudo preto e adornos vermelhos. Aqueles lábios carnudos, o pescoço convidativo e as mãos tenras e jovens. Fora Anne o tempo todo. A minha dama. O mistério que desvendarei dia após dia pelo resto da minha vida.

Elvis Rodrigues,
29 de abril de 2007



De uma idéia que surgiu de outra, eu propus ao Elvis fazermos um conto usando como tema uma mesma imagem. Porque me pareceu interessante notar como as associações e interpretações que fazemos são diferentes. E como se não bastasse, resolvemos também trocar e o meu conto está lá no fotolog dele e o dele está aqui.
Espero que gostem e opinem
E vão lá no fotolog dele também, pra lerem o que eu escrevi! =D

Bora, minha gente, visitem: www.fotolog.net/fanzineragnarok, ou cliquem em SALA DE PERIGO, no menu de slites, blogs e fotologs


PS: eu gostei do resultado, e espero escrever mais contos e compartilhar assim mais vezes!!! XD Obrigada, Elvis! ^^

[post de 30/04/2007 - 07:21]

Caravaggio


Eros, filho de Afrodite é considerado como o homem mais belo da antiguidade grega. Como uma divindade que era, possuía alguns poderes e truques, pois poderia, através de suas flechas, fazer nascer o amor ou repeli-lo.
Portador de sentimentos, pôde fazer Apolo se apaixonar por Dafne como uma resposta de uma provocação e porque era chei ode orgulho e caprichos.
Por fim, acabou amando Psiquê, uma bela princesa humana.
Na mitologia romana é freqüentemente representado como uma criança alada, segurando suas flechas.


E esse é um dos quadros de Caravaggio que eu mais gosto. Amor Victorius, de 1601.



PS: Se o mês passado demorou a passar, nesse eu pisquei o olho e já é hoje, dia 14... esse tempo que passa diferente a todo instante, embora o relógio conte sempre da mesma forma e que todos dizem ter desígnios diferentes a cada um de nós... eu não o entendo.

[post de 14/04/2007 - 12:27]

Obrigado


Obrigado, meu Deus, por ter criado o Homem. E ter dado a estas criaturas formas tão diferentes. Características tão variadas. Obrigado, meu Deus, por fazer dos humanos criaturas com belezas que se destacam por sorrisos, por olhares, por mãos e corpos inteiros. Obrigado, meu Deus. Só que às vezes, devo confessar, que isso me enche o saco. PUTAQUEPARIU! Na verdade, eu acho que às vezes é de sacanagem, especialmente porque as pessoas têm se tornado cada vez mais especialistas em confundir precaução com amargura, gratidão com inveja, amor com posse, amizade com competição.
O Mundo ‘tá indo pro caos e Deus sabe que eu não culpo ele, não. É culpa do Homem que é tão burro.


[post de 02/04/2007 - 20:52]

Desculpa, uma receita infalível!


Se você está cansado de ver ou conversar com determinada pessoa, se quer se distanciar dos outros sendo ducado, use uma desculpa.
Para criar uma desculpa bem-sucedida é necessário:

1- técnicas teatrais
2- uso de palavras educadas
3- um idiota

Uma vez preparado para dar a desculpa utilize as suas técnicas teatrais de modo a ser convincente, lembrando-se de usar palavras gentis. Em seguida, comece seu discurso com o idiota. Ressaltando que o idiota nunca deverá perceber que você o acha um cretino. Ele deve simpatizar com você para garantir a eficácia do processo.
A desculpa bem-sucedida possui uma estrutura dividida em 3 partes: o que deveria ser feito, o motivo de não faze-lo e a tristeza por não faze-lo.

Exemplo: Jerry (o idiota) convida Alice para trabalhar em sua empresa. Porém, Alice não deseja este trabalho e para recusar utiliza uma desculpa. A desculpa de Alice poderia ser a seguinte: (1) Jerry, sinto-me extremamente lisonjeada pelo convite de trabalhar na sua empresa. Ela sempre me pareceu um ótimo ambiente de trabalho. (2) Entretanto, não posso aceitar a sua proposta, pois acabei de ser admitida em um curso que há muitos anos gostaria de fazer e que ocupará todo o meu tempo. (3) Sinto muitíssimo e fico extremamente triste, pois é uma ótima proposta.

Como você pôde ter percebido, o trecho (1) indica o que deveria ser feito; o (2), o motivo por não faze-lo e o (3), a tristeza em não faze-lo.
É importante salientar a desculpa será tão mais eficaz quanto o outro se importar com você. Portanto, seja educado e utilize sempre palavras com “desculpe-me” e “sinto muito”. Utilizar motivos relacionados a saúde geralmente são eficazes e desculpar-se aumenta em 50% a taxa de eficácia da desculpa.
Entretanto, é importante alertar que o uso demasiado de desculpas em um curto período de tempo (com a mesma pessoa) pode fazer com que percam a eficácia.

Tendo dito isso, basta praticar esta arte, não esquecendo dos 3 ingredientes. E lembre-se: quanto mais se pratica a criação de desculpas, mais aumenta a possibilidade de serem bem-sucedidas!



PS: e sabem o que é o pior? Eu que sou o “idiota” nessa história toda. Por tentar manter uma amizade que parecer ser, a cada dia, mais unilateral.


[post 25/03/2007 - 21:53]

Brincos


Eu tenho cinco furos na minha orelha esquerda. Somente nas primeiras semanas em que completei esses cinco furos, eu usei todos os brincos. E também em algumas ocasiões em que achei interessante usá-los. Mas admito que isso dá um pouco de trabalho. É chato ficar procurando brincos, colocando-os. E por isso, passo um bom tempo sem eles. Tanto, que os buracos acabam fechando e eu tenho que forçar a entrada dos brincos. Isso resulta em xingamentos a minha própria orelha, um pouco de sangue e dor. Eu sei muito bem disso. Mas por algum motivo, eu já deixei esses buracos fecharem muitas vezes. E por isso, muitas vezes já houveram xingamentos, sangue e dor. Acho que o amor é mais ou menos assim.
No começo, quando éramos crianças, ninguém tinha falado que deveríamos amar. Mas enquanto crescíamos, foram dizendo que o amor é importante, e ainda criaram vários tipos de amor; o amor familiar, o amor de amigo, o amor por aqueles que não conhecemos, o amor próprio e o amor-paixão. Mas aí, como a minha orelha, a gente acaba esquecendo ou deixamos de nos importar de colocar os brincos, de ter amor. Ou só temos o amor quando achamos interessante. Ou ainda, forçamos a entrada do brinco e nos machucamos. Mas é certo que sem o brinco, a orelha fica um pouco sem graça e por isso, volta-se a usa-lo, ou busca-se um novo.
Só que nos esquecemos que o amor não é só o brinco. Mas o buraco. A posição. Porque para cada buraco da orelha, para cada lugar do buraco, para que fique bem em mim e eu me sinta bem, é preciso um tipo de brinco, uma escolha certa, uma observação e aceitação terna.

Eu quero brincos que fiquem bem em mim. E uma vez que acha-los, não deixarei de usa-los.


[post de às 26/01/2007 - 01:18]

Somos todos canibais!


1- O ser humano morre e entra em decomposição
2- Se ele entra em decomposição, é porque vira adubo
3- Se vira adubo, é alimento para capim
4- E a vaca come o capim que tinha um “pedaço” do ser humano
5- Nós comemos a vaca.
6- Logo, nós comemos seres humanos!

E com isso nem os vegetarianos escapam, afinal, iriam ocupar o tópico 4!


*teoria by Mari xD*

[post de 20/01/2007 - 00:52]
imagem retirada de: http://silencio.weblog.com.pt/

Verdade


Talvez hoje eu tenha acordado de um jeito diferente ou então, o mundo se mostrou para mim de forma diferente.
Comecei a pensar na época em que eu era criança, muito mais ingênua do que sou hoje, a pensar em como o mundo era mais simples e belo. Não pela minha ingenuidade, mas pela incapacidade de ver nos outros e em mim mesma a mentira, a solidão, o descaso.
Então comecei a imaginar em como o mundo seria mais bonito, se as pessoas se mostrassem como são. Sem jogos, sem máscaras. Se dissessem os seus desejos, os seus temores sem se importar se aquilo seria bom ou ruim, se seria adequado ou traria o lucro desejado... porque só o fato de estarem sendo verdadeiros já seria maravilhoso e o mundo de regularia sozinho, sem precisarmos falar malabarismos para regulá-lo, porque a Verdade pode fazer isso sozinha.
Como seria maravilhoso, então pensei, um mundo em que pudéssemos falar sobre tudo e quem somos... porque a Verdade é algo realmente valiosa... mas é algo que não vemos com muita freqüência. E como é doloroso, quando descobrimos que até mesmo os amigos mudam os fatos para seu benefício. Para depois dizer que não foi sua culpa, não foi por querer, não foi por vontade ou por escolha. Ora, não sejamos idiotas. Sempre há uma escolha e sempre há vontade. E convenhamos, a mentira ou omissão, no final, é a mesma merda.


Momento saco cheio: é... mentira e omissão é mesmo a mesma merda, não?
Eu tenho tido uns momentos de reflexão, sozinha ou com amigos e então achei uma boa trazer algumas coisas aqui para o blog. E esse tema é um deles. As discussões que tive sobre Verdade x Omissão foram bem extensas e na verdade, eu estou é trazendo o fim dela. Mas acho que no próximo post, eu comento sobre ela devidamente. No mais, só gostaria que as pessoas refletissem. Não somente sobre Mentira e Omissão, mas sobre o que é Verdade.


[post de 04/01/2007 - 01:53]
Imagem retirada de: http://blogs.ya.com/charlybertario/

MUDANÇAS!!!

Seguinte, o outro blog estava travando muito... pois haviam vezes que ele não abria ou então os comentários travavam...
Nisso, me falaram para mudar pro blogspot...
E aqui estou eu!!!
Eu quis manter a URL, mas como já tinha um blog com ela, pra não perder totalmente o meu nominho (que eu gostava), acabei invertendo, que agora é BOBASCOISAS (tá, ficou feio, eu sei... mas eu não tinha outro em mente, tá? ¬¬)E outra cosa chata tb foi que eu não consegui colocar o template dos morango aqui... T.T poxa... e ele tava tão lindo...
E também estou deixando aqui alguns dos posts do antigo blog que eu gostei, pra que possam ser lidos aqui (e caso se percam por lá)