As pessoas têm o péssimo hábito de cochichar pelos corredores. E entre os seus burbirinhos eu ouço nomes cortados por palavras maliciosas. É claro que meu nome não é falado por eles. Mas deveria. E cada palavra deveria ser usada para enumerar, um a um, os meus pecados.
Sim. Sou uma pecadora.
Sim, Deus, eu pequei.
E como acontece em muitas vezes em que pecamos, eu desejo o momento de pecar novamente e não me arrependo totalmente pelo o que fiz.
E o que fiz? A síndica saiu com o porteiro. Nada haveria de errado nisso... se eu não fosse casada e tivesse dois filhos.
Isso aconteceu em uma época difícil. Eu estava desempregada e só me preocupava em cozinhar e limpar. Eu havia me transformado em um robô assexuado porque até o sexo fazia parte das minhas obrigações tediosas.
O que me salvou foi um anúncio que eu vi no jornal. Era a minha chance. Eu seria secretária e não me importava que eu não soubesse de computadores. Eu aprenderia. Eu me livraria dessa vida parada.
O único problema foi que meu marido não aceitou e as crianças reclamaram. Ele precisava de uma empregada e elas, de uma babá. Quantos dias se passaram nessa indecisão? Não sei. Mas entre eles, aconteceu o inevitável.
Cansada do marido gordo com sebo saindo pelos poros e das crianças remelentas, eu fui tomar um ar. Desci até a portaria.
Só tinha um problema: quando a síndica vai a portaria é para ouvir reclamações. Sobre os novos moradores, sobre a mocinha que vive trazendo namorados, sobre o rapaz que quase não sai e tem uma risada esquisita, sobre os problemas no elevador, sobre as goteiras que parecem uma cachoeira no 201.
E nessa conversa que já me fazia dormir em pé, eu vi um vulto de um animal passando perigosamente próximo. Dei um grito e me agarrei em algo. Eu só ouvia o porteiro tentando me acalmar, mas suas voz parecia tem algo de nervoso. Ele apenas dizia: “era só um gato! Um gato!” Quando finalmente me acalmei, vi o ridículo. Eu estava abraçada a ele. Eu não fiquei nervosa porque subtamente me senti mulher, como há meses não sentia. E o senti como um homem, e não mais outra coisa senão um homem. E como eu já estava abraçada a ele, não precisei de muito esforço para aproximar nossos lábios e nem muito esforço depois disso para algo mais.
Algum tempo depois (talvez horas) vi que eu estava perdida e voltei correndo para casa decidida a me tornar secretária e a voltar a ser mulher.
E a cada dia eu volto a ser um pouquinho mais mulher. Mesmo que eu ganhe pouco e meu marido seja desagradável e as crianças mal-educadas. Os outros acham que eu sou uma esposa, mãe e secretária perfeitas. Exemplar. O que eles não sabem, por enquanto eu prefiro manter em segredo. Que Clotilde também é nome de mulher.
Sim. Sou uma pecadora.
Sim, Deus, eu pequei.
E como acontece em muitas vezes em que pecamos, eu desejo o momento de pecar novamente e não me arrependo totalmente pelo o que fiz.
E o que fiz? A síndica saiu com o porteiro. Nada haveria de errado nisso... se eu não fosse casada e tivesse dois filhos.
Isso aconteceu em uma época difícil. Eu estava desempregada e só me preocupava em cozinhar e limpar. Eu havia me transformado em um robô assexuado porque até o sexo fazia parte das minhas obrigações tediosas.
O que me salvou foi um anúncio que eu vi no jornal. Era a minha chance. Eu seria secretária e não me importava que eu não soubesse de computadores. Eu aprenderia. Eu me livraria dessa vida parada.
O único problema foi que meu marido não aceitou e as crianças reclamaram. Ele precisava de uma empregada e elas, de uma babá. Quantos dias se passaram nessa indecisão? Não sei. Mas entre eles, aconteceu o inevitável.
Cansada do marido gordo com sebo saindo pelos poros e das crianças remelentas, eu fui tomar um ar. Desci até a portaria.
Só tinha um problema: quando a síndica vai a portaria é para ouvir reclamações. Sobre os novos moradores, sobre a mocinha que vive trazendo namorados, sobre o rapaz que quase não sai e tem uma risada esquisita, sobre os problemas no elevador, sobre as goteiras que parecem uma cachoeira no 201.
E nessa conversa que já me fazia dormir em pé, eu vi um vulto de um animal passando perigosamente próximo. Dei um grito e me agarrei em algo. Eu só ouvia o porteiro tentando me acalmar, mas suas voz parecia tem algo de nervoso. Ele apenas dizia: “era só um gato! Um gato!” Quando finalmente me acalmei, vi o ridículo. Eu estava abraçada a ele. Eu não fiquei nervosa porque subtamente me senti mulher, como há meses não sentia. E o senti como um homem, e não mais outra coisa senão um homem. E como eu já estava abraçada a ele, não precisei de muito esforço para aproximar nossos lábios e nem muito esforço depois disso para algo mais.
Algum tempo depois (talvez horas) vi que eu estava perdida e voltei correndo para casa decidida a me tornar secretária e a voltar a ser mulher.
E a cada dia eu volto a ser um pouquinho mais mulher. Mesmo que eu ganhe pouco e meu marido seja desagradável e as crianças mal-educadas. Os outros acham que eu sou uma esposa, mãe e secretária perfeitas. Exemplar. O que eles não sabem, por enquanto eu prefiro manter em segredo. Que Clotilde também é nome de mulher.
Mari Sathie
30 de maio, 2007
E como prometido, o conto sobre a imagem do gato. ^^ (naquele mesmo esquema de ao ser escolhida uma imagem, escreve-se um conto como no máximo 5mil caracteres e posta-se em um determinado dia... acho que deveríamos criar um nome pra isso... XD)
A próxima imagem será escolhida pelo Lucas.
Outras pessoas também participaram desta iniciativa! XD Não deixem de conferir e ver como cada um escreveu sobre a imagem.
Delbiano: http://oiaki.nafoto.net/
Lucas: http://luxalt.blogspot.com/

12 comentários:
gostei desse.. mas.. essa clotilde num morre não? adúltera ainda por cima.. puts ^^'
anyway, ficou bacana sim ^^
sei q é nadaver falar isso, mas é a primeira vez q vejo texto seu com tantos errinhos ortográficos.. ja te falei pra num escrever depois de beber tsc tsc
cya o/
Ah, Anderson... é isso que dá ficar dependendo só da correção do Word... na verdade, eu não revisei na hora de postar porque eu cheguei em casa, fui passar o conto a limpo e postar... u.u
Mas obrigada por me avisar!!! XD E se tiver um outro erro de ortografia, me avise! XD
E eu gosto da Clotilde! Ela é uma personagem que ficou XD
olha...
finalmente a Clotilde se tornou humana, não é só uma figura presente na vida do Jonas ou daquele outro lá...
Na verdade eles não podem nem se dizer personagens comparados com a Clotilde!
Porém, romance com porteiro... já até imaginei aquele bigodinho ridículo, e um som de tecnobrega tocando enquanto ele monta nela, ou vice versa XD
eu gostei do texto... principalmente pela peculiaridade da descrição da família dela, e pelo apagão, ainda pareceu que não passou de um delírio...
Uaaaaaaahhhh!!! Contooooooo!!!
Gosteeeeei!!! ^____^
Poxa, a Clotilde!!! Tava ansioso pela chance dela protagonizar um e deixar de ser figurante nos dos outros! XD
Gostei dela!
Mas acho que ela devia dar um pé na bunda desse marido mané dela e ir atrás do porteiro!!! XD
Yeah, voce conseguiu novos participantesss!!! Vou ler lá os deles!!
uhahuauhauhauhauhauhahuauhauh, adorei o comentário do Felippe! XDDD~~ Tecnobrega, uhauhauhauha!!! Bigodinho! XD
Ueba!
Clotilde tornou-se muito interessante. Lembrei-me de uma das personagens de Desperate housewives, A Lynette. Ficou ótimo seu conto, bem realista e tal. A Clotilde ganhou carne! Eh, deu pra imaginar a rotina da dona de casa. MULHERES E HOMENS: Direeitos iguais!!!!!
E também configurar as coisas que rolam em prédios residenciais... Eh tão legal fazer contos ambientados em Ap. tem muitas possibilidades de personagens coadjuvantes.
Que bom que novos escritores entraram no conloio! Realmente temos que dar um nominho pra nosso projeto... Qual?
Entao ateh a proxima. bjo
muito realista, muito bom mesmo, parece uam cena qu eestamo spresenciando.Parabens.
O conto ficou muito bom, Mari.
Gostei meeeeesmo!! =D
Ora, ora... taí algo que eu jamais pensei em ver... Elvis apoiando o adultério... huahuahuahauhauhauahua!
Foi uma pena eu não poder participar do conto desta vez (cheguei a ter até uma idéia legal, mas não consegui desenvolver de uma maneira que me agradasse.. será que teria algum problema se eu publicasse com atraso, caso eu a termine de maneira satisfatória?), entretanto, foi muito legal vcs terem arrebanhado novos escritores... perderam um, mas ganharam mais dois. Legal, neh? =)
Vou ler os outros depois!!
Bom, vamos nos ater agora ao que vc escreveu... gostei da personagem Clotilde, do local onde se passa a estória, do modo como a personagem principal descreve sua situação e do jeito como ela tomou uma atitude pensando no seu bem-estar... se os outros a fazem infelizes, eles que se danem... ela tem mesmo é de curtir a vida. E não ser pega, hehehehe... =)
Nota 10 para o comentário do Felippe... morri de rir aqui. (eh... eu sei, não encontrei nenhuma mesa branca aberta a essa hora, então eu estou mensagens pela net, ok? =D Buuuuuuu!)
Direito de resposta: eu não defendi o adultério, de maneira alguma! Veja que eu disse pra ela dar um pé na bunda do marido!!! Ou seja, eu defendi a felicidade dela, mas pra isso ela deveria se separar e ficar com o porteiro! =P
Ok, ok... erro meu! (proposital, só pra ver como ele iria reagir... hehehehe XD)
huahuahuahuauh
vcs dois são muito engraçados XD
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