sábado, 19 de maio de 2007

Brincos


Eu tenho cinco furos na minha orelha esquerda. Somente nas primeiras semanas em que completei esses cinco furos, eu usei todos os brincos. E também em algumas ocasiões em que achei interessante usá-los. Mas admito que isso dá um pouco de trabalho. É chato ficar procurando brincos, colocando-os. E por isso, passo um bom tempo sem eles. Tanto, que os buracos acabam fechando e eu tenho que forçar a entrada dos brincos. Isso resulta em xingamentos a minha própria orelha, um pouco de sangue e dor. Eu sei muito bem disso. Mas por algum motivo, eu já deixei esses buracos fecharem muitas vezes. E por isso, muitas vezes já houveram xingamentos, sangue e dor. Acho que o amor é mais ou menos assim.
No começo, quando éramos crianças, ninguém tinha falado que deveríamos amar. Mas enquanto crescíamos, foram dizendo que o amor é importante, e ainda criaram vários tipos de amor; o amor familiar, o amor de amigo, o amor por aqueles que não conhecemos, o amor próprio e o amor-paixão. Mas aí, como a minha orelha, a gente acaba esquecendo ou deixamos de nos importar de colocar os brincos, de ter amor. Ou só temos o amor quando achamos interessante. Ou ainda, forçamos a entrada do brinco e nos machucamos. Mas é certo que sem o brinco, a orelha fica um pouco sem graça e por isso, volta-se a usa-lo, ou busca-se um novo.
Só que nos esquecemos que o amor não é só o brinco. Mas o buraco. A posição. Porque para cada buraco da orelha, para cada lugar do buraco, para que fique bem em mim e eu me sinta bem, é preciso um tipo de brinco, uma escolha certa, uma observação e aceitação terna.

Eu quero brincos que fiquem bem em mim. E uma vez que acha-los, não deixarei de usa-los.


[post de às 26/01/2007 - 01:18]

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